O primeiro cartum a gente nunca esquece

 

Não guardei o primeiro cartum que fiz, mas lembro da ideia. Refiz e reproduzo acima.

 

Recordo que foi em 1968 (putz, "a gente quer parar o tempo/mas o tempo não tem parada", como diz Alceu Valença, na embolada). Me inspirei na onda da minissaia que era novidade naquela época.

 

É um cartum atemporal, pois ainda funciona nos dias de hoje: já pensou um padre desfilando por aí de minibatina?

 

Eu tinha 17 anos, estava concluindo o curso científico, pra prestar vestibular, e tinha feito um curso de desenho artístico por correspondência (era a internet daquele tempo). Estava vivendo o época confusa de adolescente, que não sabia direito o que fazer da vida. Queria estudar Jornalismo ou Direito, mas também queria ser desenhista de histórias em quadrinhos clássicas. Na época, enviei histórias quadrinizadas para algumas editoras brasileiras, usei as temáticas da época: cowboy, terror, super-herói... Mas nada emplacou. 

 

Um tio meu, tio Sebastião, tinha uma banca de revistas no centro da cidade. Durante algum tempo fiquei ajudando ele... no pretexto de ficar lendo todos os gibis - sem comprar, claro!

 

Certo dia, vendo uma revista chamada "Garotas e Piadas", publicada pela Editora EDREL, de São Paulo, vi um anúncio de concurso para colaboradores que desenhassem histórias em quadrinhos (eles também tinham revistas de terror) e piadas - na época chamava-se piadas e não cartum. Enviei uma página de história de terror e o cartum da minissaia. 

 

 

Lembro que fiquei eufórico quando fiz o meu primeiro cartum. Senti uma sensação gostosa, tipo "Eureka!", descobri o que quero fazer na vida!

 

Fiquei aguardando o resultado do vestibular para Jornalismo e o resultado do concurso de desenho.

 

Passei no vestibular, mas não fiquei muito contente.

 

Fui aprovado como cartunista pela editora EDREL, e trabalhei como colaborador das suas revistas durante três anos. 

 

Ah, outra coisa curiosa é que a página de terror que desenhei também foi aprovada, mas não como quadrinhos de terror, mas de humor...

 

Explico o porque: o nome da "história de terror" que eu havia enviado chamava-se "A Experiência". Contava a frustração de um cientista que havia criado uma fórmula que o transformou em vampiro. Então, quando ele tomou o antídoto pra voltar ao normal, transforma-se em um lobishomem!

 

KKKKKKKKK! Realmente é mais engraçado do que aterrorizante, não?

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