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Traços de Memórias > O DIA EM QUE "GANHEI" A NAMORADINHA DE UM IRMÃO MEU

O título acima é uma paródia da música “A namoradinha de um amigo meu”, de Roberto Carlos. E acredite, isso também aconteceu comigo.

Escorpiano namorador, o mano tinha muita facilidade em conquistar as garotas. Das vezes que saimos juntos pra paquerar, eu sempre sobrava... ele não.


Em 1971 eu tinha 20 anos e ele 18. Morávamos com a família, no bairro do Cordeiro.

Um belo dia ele me diz que começou a namorar uma garota de lindos olhos verdes Ela morava nas proximidades e tinha um nome raro: Lajavene, de apelido Vene.


Lembro de uma vez que ele a levou em casa, mas não prestei muita atenção. Capricorniano, mal saído da adolescência, eu vivia no mundo das nuvens, estudando pra vestibular e procurando emprego como desenhista – uma façanha, na época.


O namoro do meu irmão durou apenas alguns meses. Motivo: a Festa de Exposição de Animais, que acontece no mês de novembro, no Parque de Exposições do Cordeiro de Recife.


Ela contou o porquê do rompimento: numa noite em que estavam namorando na casa dela, ele alegou estar com dor de cabeça e foi embora mais cedo. Logo depois amigas a convidaram para ir ao evento no Parque de Exposições, paquerar os garotos. Escorpiana tal qual meu irmão, ela não perdeu tempo e foi com as colegas. Passeando pra lá e pra cá no Parque deu de cara com o quê? Sim, meu irmão “agarrado” com outra menina!


No dia seguinte ele foi à casa dela tentar se explicar... mas não teve jeito, namoro encerrado e ponto final.


ALGUM TEMPO DEPOIS...


No primeiro semestre do ano seguinte (1972), nós a encontramos em alguns “assustados”, porém não rolou mais nada entre os dois.


Um parêntese aqui pra registrar: 1972 foi o ano que mudou a minha vida. Passei no vestibular pra Jornalismo, consegui emprego em uma agência de publicidade e publiquei meu primeiro cartum no Pasquim. Só faltava encontrar uma garota pra namorar. Até falei namoro à uma colega de faculdade, mas recebi o clássico “gosto de você apenas como amigo”.


No segundo semestre, em agosto, o mano tenta uma reaproximação com a ex de olhos verdes. E me usa como pombo-correio pra convidar ela e a irmã mais nova pra um aniversário de 15 anos, boca livre (ele sabia que Vene adorava comidas de festa). O plano dele era reatar com ela e incentivar a irmã pra ficar comigo. Ela aceitou o convite. Ficamos conversando um pouco e... trocamos uns olhares meios esquisitos...


À noite fomos buscá-las no fusquinha amarelo que outro irmão (o mais velho) emprestou pra irmos à festa. Lembro que ela estava deslumbrante, vestida de preto, o rosto com as bochechas rosadas, a boca sem batom, de cor vermelho natural... eu não conseguia tirar os olhos dela!


Naquela época, as festas de 15 anos da gente humilde eram realizadas na residência da aniversariante mesmo. Nós ficamos sentados em cadeiras colocadas na área externa da casa, embaixo de uma árvore, recebendo uma brisa gostosa. Dentro da casa, na sala de visitas, as pessoas dançavam ao som da radiola. Na sala de jantar, uma mesa grande com o bolo da aniversariante ao centro e ao redor petiscos, salgadinhos e docinhos. Não tinha garçons, a gente mesmo se servia em pratinhos. A bebida era servida pelos familiares.


Acho que naquela noite de agosto de 1972 os astros e o cupido conspiraram todos ao meu favor. Em geral tímido em festas, sentei-me junto dela e ficamos conversando. Houve momentos em que eu não “enxergava” ninguém, só eu e ela e a música tocando baixinho no meu ouvido... De repente a chamei pra dançar. Com a sua voz naturalmente meio rouca, ela falou:

- Agora, não. Deixa tocar uma música que eu gosto.

- Tá, certo. Quer mais docinhos?, perguntei.

- Sim!, respondeu sorrindo.

Pois é, usei a estratégia do meu irmão pra conquistá-la, hahahaha!


Enquanto isso, ele conversava com a irmã dela, os dois olhando pra gente sem entender nada do que estava acontecendo!


Desfecho final: quando a radiola tocou a música que esperava ela pegou na minha mão e disse:

- Agora sim, vamos dançar!

Dançamos coladinhos umas três músicas lentas. Depois saímos de mãos dadas para fora da casa, encostamos no muro e ficamos trocando beijinhos.

Foi a gota d’água pra meu irmão, que pegou o fusquinha amarelo e se mandou, deixando um recado com a irmã dela: “Se virem pra voltar de táxi!”


No dia seguinte, o clima no café da manhã lá em casa foi meio esquisito, mas foi tranquilo. Meu irmão comportou-se como um cavalheiro. Alguns anos depois ele também encontrou a sua alma gêmea e vivem juntos até hoje.


Em 1974 a namoradinha se tornou minha companheira por toda a vida. Em 30 de novembro completamos 46 anos de união - com um saldo positivo de três filhos maravilhosos e quatro netos fofinhos. Graças a Deus e ao meu querido irmão Rubem!


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